Thursday, May 15, 2008

LIGHTPOEMS.
Uma câmara digital amadora, um celular e uma palavra.

E fez-se a luz.

E assim se fez o amor.

Wednesday, May 14, 2008

Vem, vamos pra bem longe da cidade
Quem sabe até o Mar da Tranqüilidade
A gente se abraça e esquece a vida alheia
Curtindo a dois uma noite de Terra cheia.

Então eu fiz um light graffiti.

Tudo é para sempre.

Monday, May 12, 2008

MEUS PRÓPRIOS PALÍNDROMOS XIII
(com uma capicua em homenagem aos leitores p´rtugueses)

O SUL É LUSO.

SÓ CAVO SOVACOS.

ODAIR, É FERIADO!

RAMO PODRE, LERDO POMAR.

ERA PRATICO CITAR. PARE.

O ACASO TOSA CÃO.

Microconto: o gênero literário dos preguiçosos.
Foi à esquina buscar pão e leite. Chegou em casa todo borrado de batom, de mãos vazias, sem saber o que fazia com uma nota de dez no bolso.

Friday, May 09, 2008

No ano do centenário, lá em casa a gente comemora os 44 anos de imigração.
Uma gravidez interrompida para poder enfrentar 50 dias no mar, costeando a Ásia, África e, por fim, cruzando o Atlântico. Um país estranho, uma língua estranha e difícil, cheia de regras que nem mesmo os nativos sabiam usar corretamente. A chegada da primeira filha é sua primeira semente plantada em solo brasileiro. As outras, de alface, tomate, repolho e pimentão, a enchente tratou de pôr por água abaixo.

Nova temporada, chega a segunda filha, o trabalho na lavoura é duro e a saudade do missoshiru, enorme. Em uma carta que devia trazer boas novas, a mensagem começa com a palavra “infelizmente”. Era a morte do seu irmão. Vem a terceira filha, tão pequenina que ficava de pé na palma da mão, batizada com o nome que significa 1000 tsurus – a ave símbolo da longevidade no Japão. Sim, a vida no novo país vai ser longa e o caminho, bastante tortuoso. Decidem por plantar tomates. Os pés de tomate crescem rapidamente, absorvendo tudo o que o solo catarinense lhes ofertava de boas-vindas. Mas o céu não foi tão generoso: trouxe a maior geada dos últimos 30 anos.

Na tentativa de combatê-la, fizeram fogueiras durante a noite, queimaram pneus, rezaram. Tudo em vão. O proprietário das terras arrendadas não quis saber de quem era a culpa, embora fosse todinha de São Pedro. Despejou as famílias da propriedade e ordenou que abandonassem suas casas sem levar nada. Então ela vai para a casa do irmão com uma mão na frente e outra atrás. E dois filhos na barriga. Com a ajuda do capataz, conseguiram recuperar seus bens na calada da noite, invadindo o que, até então, eram suas próprias casas.

O sofrimento é muito grande. É preciso mudar de ares. Cruzam o Mampituba para se unirem a outros imigrantes japoneses na colônia de Ivoti, onde nascem os gêmeos. Uma menina e um menino. A menina era forte e mamava muito. O menino, mamava o pouco que lhe restava e ainda assim vomitava quase tudo. Ela jamais imaginaria que, mais tarde, este mesmo menino teria forças para jogar bola 5 vezes por semana. Até porque, quem tem 5 filhos não tem tempo para pensar. Só trabalhar.

Naquela época, iniciava-se o cultivo de uvas de mesa na região, diferentemente dos italianos, que cultivavam uvas para a produção de vinho. Um dia, fazendo “chimia” de uva, ela se descuidou e deixou queimar o fundo da panela. O sabor doce da geléia misturado com o amargo do fundo queimado a fez lembrar de um famoso ingrediente da culinária japonesa: o shoyu. Bastou acrescentar sal para matar as saudades da terrinha. Que banquete!

As 5 crianças iam crescendo e, junto, crescia a preocupação de proporcionar uma boa educação para que todos tivessem um futuro melhor. Não restava outra opção senão juntar as tralhas e fazer a sétima mudança no Brasil. Desta vez, para a cidade. Onde novamente a raspa da panela aparece: nasce totalmente fora dos planos, o sexto filho. O segundo filho homem, registrado com o nome Keigiro que, em japonês, significa “a segunda felicidade”. Essa é apenas uma parte da história da minha mãe. E é por isso que eu respeito muito ela.