Monday, October 22, 2007

SÓ MAIS UMA SAIDEIRA
A gente sabe que está no limite quando bebe no modo automático. E decide que aquele gole será o último porque quase não conseguimos engolir. Na verdade, nosso corpo é quem decide que não quer mais uma gota sequer. E assim foi. Ele tomou o último gole e levantou-se da cadeira. Aliás, tentou se levantar. Uma. Duas. Três. Quatro vezes. Na quinta vez, com muito esforço e a ajuda dos “ermão”, ele finalmente conseguiu.
Apoiando-se nas paredes e a passos cambaleantes, ele tomou seu rumo. Enquanto uns se preocupavam, outros riam. Andando praticamente desacordado, ele mal sabia o que lhe esperava nos próximos metros: uma escada. De apenas 2 ou 3 degraus, mas era uma escada. Com o pouco de visão que ainda lhe restava, tateou o corrimão e pôs o pé direito no degrau que não estava lá. Aquele corpo rolou escada abaixo como se fosse uma melancia. Uma melancia que se transformou em prantos ensurdecedores, que só se acalma ao ouvir uma voz:
- Vem cá,filhinho. Mamãe vai te fazer nanar.

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