Tuesday, August 28, 2007

MAIS CAPICUAS (MEUS PALÍNDROMOS Nº 10)

ERRO MEU QUE MORRE

SOGRA CASA CARGOS

SÓ CORTA SALAME E MALAS A TROCOS

AME NICOLAU. QUAL O CINEMA?

A TRAMA DA MARTA

O TIO ATLAS SALTA OITO

MEDROSO, PÔS ORDEM.

MEUS PRÓPRIOS PALÍNDROMOS IX
(ou, no bom português lusitano, capicuas)

A TORRE DERROTA

A VELA ACESA SECA A LEVA

SE AMO TRUFA, FURTO MÃES

ADORADO DA RODA

UÉ? LI BIBLIA. MAIL BIBI LEU?

OI, RATO OTARIO!

A LUPA PULA

ANIL, A NERD ADRENALINA

Então eu fiz um ideograma em espanhol.



Monday, August 27, 2007

MEUS PRÓPRIO PALÍNDROMOS VIII
(Se você não sabe o que são palíndromos, leia de trás p/ frente)

À GERBERA, BAR É BREGA

RODEIA O BAR, ESSE RABO AÍ É DOR.

E TOMA OLINA, DANILO. AMO-TE!

O CERTO É O TRECO

MEDI O LEMA COMO CAMELO IDEM

MIMA A DROGA DA GORDA A MIM

Monday, August 20, 2007

CAUSO AÉREO
- Poltrona 28D, ok?
- Janela ou corredor?
- É a do meio, senhor.
Pensou em pedir para trocar, mas àquela altura, a poucos minutos do embarque, já não haveria outros assentos disponíveis. Quem mandou ficar 5 minutos a mais na cama, 10 minutos a mais no banho e 8 minutos a mais no banheiro? Salvo o último caso, que é o intestino quem manda, para os demais, ele aprendeu que aqueles minutos valiam muito na hora de fazer o check-in.

Valiam uma poltrona na janelinha ou, pelo menos, no corredor, pertinho das belas comissárias em seus uniformes impecáveis, coques no cabelo deixando suas nucas de fora e outros detalhes que despertavam sua libido. E assim ele se distraía nos instantes que antecediam a decolagem. Era uma das poucas pessoas que prestava atenção em todas as explicações dos procedimentos de emergência. Já sabia todo o texto, em português, espanhol e inglês.
- Caso você não se sinta apto a realizar este procedimento....
- ...avise um dos comissários (completava ele, falando baixinho, como alguém que acompanha uma música).

Talvez isso tudo nem fosse só pelo fato de ele se sentir atraído pelas aeromoças, mas também porque realmente tinha medo de voar. Era só ouvir o barulho da turbina aumentar, que já começava a suar as mãos.

Pediu licença para uma senhora gorda (aparentemente uma professora de faculdade) e sentou-se em seu lugar. Na poltrona junto à janela, um senhor de meia idade, vestindo calça jeans e pullover marrom (aparentemente, um representante comercial). Deu bom dia a ambos e ficou ali, prestando atenção nas instruções.

Devagarinho, a aeronave começou a se dirigir para a pista. Apontou na cabeceira da pista e ali ficou aguardando a liberação da torre de controle.
Não suportando tamanho nervosismo, pediu para que seus vizinhos de poltrona lhe dessem as mãos que, prontamente, seguraram aquelas mãos suadas.

Mas, ao contrário do que se esperava, em determinado momento, seu nervosismo só aumentava. Ele estava num beco sem saída. Numa sinuca de bico. Sem que tivesse outra opção, teve que gritar para chamar uma das comissárias, que estava lá na frente.
- Moça, me ajuda!!!
A aeromoça, apavorada, veio rapidamente até a fileira 28.
- Pois não, senhor?
Ao que ele, segurando seus vizinhos de poltrona com as duas mãos suadas, pede:
- Faz o sinal da cruz pra mim?

Thursday, August 02, 2007

Para compensar a longa data sem postar, aí vai um conto.

O VELHO CHICO
Combinei de encontrar Francisco na livraria, como sempre. Eu já tinha folheado um livro daqueles bem grossos de anatomia humana, pois eu tinha sido pontual e Francisco estava muito atrasado, como sempre. Mas fiquei tão fascinado com o livro, que nem vi o tempo passar. Que belas ilustrações. Músculos, tendões, órgãos, ossos, tecidos. Camadas de tecidos. Pensei comigo mesmo: conheço mais a anatomia de um peixe do que a minha. Decidi que ia procurar um livro de anatomia humana em sebos, com a esperança de encontrar um exemplar por, quem sabe, um quarto do preço.

Enquanto eu começava a folhear o segundo livro, um de arquitetura em madeira, vi um vulto adentrar à livraria. Alto e gordo, como o Francisco. Levantei os olhos por sobre o livro e lá estava ele. Mas, espera. Era o Francisco com cara de velho? Ou seria o irmão mais velho dele? Se bem que esse que entrou parecia inclusive mais velho que seu irmão mais velho. Porque assim, o Francisco deve ter entre 25 e 30 anos. Mas esse cara que entrou, com a cara idêntica à dele, deve ter no mínimo 20 anos a mais. Enfim, se ele vier, vou ter que cumprimentar. Mas devo comentar sobre a idade ou não?

- E ai, vamos almoçar?

- Vamos, tô morrendo de fome.

- Demorei, né? Desculpa, o trânsito tá foda.

- É, demorou. Demorou ANOS. Já li um livro de anatomia de 500 páginas e tava na metade desse aqui de arquitetura, 300 páginas.

- Onde vai ser? No de sempre?

- Pode ser, há ANOS que eu como aquela massa. Não vai ser hoje que eu vou mudar.

- Mas me conta. Como estão as coisas?

- Eu é que te pergunto. (pausa, olhando para os cabelos grisalhos) Até parece que ENVELHECEU. Muito stress lá naquela birosca?

- O stress de sempre. Mas já acostumei.

- Sim. Tu tá lá há ANOS né, hehe.

- Não, eu entrei faz o que...2 ou 3 meses.

- ...que valeram por ANOS, pelo visto! (olhando fixamente para o pullover de tiozão que Francisco vestia)

Nisso, chegou o rapaz com os pedidos. Pesto pra mim, Bolonhesa pra ele. Coca-cola para ambos. Ao que o “seu Francisco” reclamou para o garçom:

- Eieiei. Eu não pedi gelo e limão. Eu posso tomar só Coca ou não é mais permitido?

- Desculpa, senhor. Já trago outro copo.

Fui obrigado a reprimi-lo, já aproveitando a deixa para tocar mais uma vez no assunto “idade”.

- Cara, pára de reclamar. Tu tá parecendo um VELHO ranzinza. Só reclama!

Conversa vai, conversa vem, e nada do Francisco dar uma pista do que tinha acontecido com ele. Como o cara envelheceu 20 anos de repente? Como? Foi abduzido por ETs do planeta dos velhinhos? Foi fazer uma figuração no remake de Cocoon e esqueceu de tirar a maquiagem? Caras, eu não sabia mais o que fazer. Já começava a ficar agoniado com aquele senhor que insistia em dizer que era meu amigo.

Simulei um desarranjo intestinal repentino e me levantei às pressas em direção ao banheiro. Fui ao mictório e comecei a mijar, na esperança de acordar daquele sonho. Porque quando a gente sonha que está com vontade de mijar, é só começar a mijar no sonho que a gente acorda – a tempo de levantar e ir ao banheiro. Ok, quando criança eu acordava todo molhado mesmo. Mas enfim, nem isso deu certo. Não era um sonho.

Fui até a pia e lavei bem o rosto, lavei até os olhos, achando que isso fosse fazer com que eu voltasse a enxergar as coisas como antes.

Levantei o rosto, procurei uma toalha de papel e, quando me olho no espelho, noto que também estou cerca de 20 anos mais velho. E ainda sou obrigado a ouvir o comentário de um maloqueirinho adolescente:

- Aí tio, dando um trato na lata hein?