Tuesday, September 27, 2005

VIAJANDO UM POUCO
Duas vezes por ano, a Andorinha do Ártico migra de um pólo ao outro, em busca de condições mais agradáveis para viver. Mesmo assim, aquela gente que teima em morar no árido sertão durante a vida inteira, cada um deles faz parte da classe dos seres evoluídos.

Wednesday, September 21, 2005


(ultrapassando a barreira dos 100 posts, um textinho inspirado numa foto que eu achei no foundphotos)

VIVI VIU A UVA
A menininha de pernas fofas e tortas olha para a parreira como quem olha para o céu e se perde nas contas ao tentar contar as estrelas. Mas ela não pára, não desiste e se põe a recomeçar a contagem. Porque ela nunca havia visto tantos cachos de uvas assim, inda mais penduradas no céu.
Até então ela só conhecia as uvas da quitanda, apertadas umas nas outras naquela caixa de madeira, exalando aquele cheiro doce de enlouquecer abelhas. Olhando para as uvas dependuradas ela caminha, corre, rodopia, pula, perde o equilíbrio. E, assim como as estrelas, ela não consegue tocá-las. Mas a menina acredita que um dia ainda vai ficar bem grande e alcançar todas aquelas uvas. Não para comê-las. Mas para poder contá-las uma a uma, tocando com seu dedo indicador.

Monday, September 05, 2005

O QUE VALE É A INTENÇÃO
O zagueiro tocou a mão na bola, mas não houve a intenção, afirmou o comentarista esportivo. Ou seja, mesmo tocando com a mão a bola dentro da área e evitando o gol da equipe adversária, a não intenção o absolveu da penalidade máxima. No sábado pela manhã, as freiras organizaram um bazar beneficente, onde toda a renda seria revertida para o tratamento de crianças com câncer. Eu queria muito ir. Me programei durante a semana inteira para ajudar as crianças. Mas acordei tarde demais. Não consegui agir de acordo com a minha intenção. Quando conheci seu pai, ele me perguntou quais eram as minhas intenções. Eu respondi: as piores. E, de novo, não consegui agir de acordo com as minhas intenções. Ao contrário de você, que cometeu a penalidade máxima, com carrinho por trás, sem visar a bola. E, neste caso, Galvão, a regra é clara.
QUARTA-FEIRA
Não te preocupa menina
eu não quero te xingar
dessa vez as tuas lágrimas
não vão me sensibilizar

Não te preocupa menina
eu não pretendo te julgar
infelizmente o nosso jogo
foi mais um jogo de azar

Amanhã, como todas as quartas
o lixeiro vai passar e recolher
suas falsas palavras, suas cartas
e tudo que me faz lembrar você.