Tuesday, August 02, 2005

O QUE OS NOMES CARREGAM
Ao primeiro raio de sol no horizonte, quando o céu ainda é cor de rosa e ainda se enxerga uma centena de estrelas que insistem em brilhar, lá está ele, acordado, assobiando como um sabiá. O caminho da roça suas botas já sabem de cor: um pé na frente do outro, despenteando o capim recém molhado pelas lágrimas que a noite derramou ao se despedir do vilarejo. Hoje, assim como ontem, há muito milho a ser colhido. Depois do milho, há muita vaca a ser ordenhada. Há muito gado a ser alimentado. E há muitas hortaliças a serem plantadas. E assim era a vida no campo todo o santo dia. De segunda a segunda, inclusive em feriados e dias santos. Na fazenda dos Cavalcante, calendário não tinha serventia. Porque todo dia era dia de trabalho. A última vez que se soube que alguém havia usado o calendário, foi Dona Sebastiana, que batizou seu filho caçula com o nome do que ela mais queria na vida: Domingos. Domingos Cavalcante, o menino que cresceu e virou homem tendo dia de descanso só no nome.

1 comment:

gus bozzetti said...

bem galeano... bem bom