Thursday, July 14, 2005

DA JANELA
Todo o final de tarde é a mesma coisa. Chego em casa, sirvo uma taça de vinho e bebo sozinho, mas nunca solitário. Daqui eu consigo enxergá-la. Eu fico olhando pra ela e parece que ela também está olhando pra mim. Cada dia eu descubro e me apaixono por um novo detalhe do seu corpo, do seu rosto, gosto até do jeito como ela se veste. Não que isso seja fundamental.

Precisamos nos conhecer melhor. É estranho, tenho a impressão de que já a conheço há algum tempo. Tenho até medo de acabar falando certas coisas no primeiro encontro que acabem a assustando. Por exemplo, tenho muita vontade de já ter um papo inicial pra discutirmos a nossa relação. Sei lá, acho que precisamos nos acertar desde o início. Sinto que a nossa relação é unilateral, e não deve ser assim. Amanhã de manhã, vou falar com ela sem falta. Até porque, amanhã é final de quinzena e, se trocarem aquele outdoor, eu nunca mais vou vê-la da minha janela.

Friday, July 08, 2005

HOJE VOU TOMAR BANHO CALADO. Porque as músicas que eu cantava no show diário em que o único espectador era a minha própria imagem nua no espelho eram todas dedicadas a você. Se hoje eu repetir o repertório de ontem, o meu público vai vaiar. Mesmo assim, o público vai comparecer porque é fiel e sempre será.
Hoje os azulejos não vão reverberar sequer uma vogal, sequer uma consoante. Só o som das gotas de água quente que massageiam meus olhos fechados. As gotas que batem nas duas janelas por onde, até ontem, eu via a felicidade entrar. Hoje elas estão fechadas. Chove lá fora. E eu não quero mais me molhar. Desligo o chuveiro e peço que a toalha me abrace.