Wednesday, December 08, 2004

EM BRASILIA, DEZENOVE HORAS
Assim como todos os finais de tarde, o de hoje também foi péssimo para ele. Era o sol começar a se inclinar, ganhando cor no lugar da luz branca e forte, que ele começava a ficar deprimido. Também pudera, seu pai morrera num final de tarde quando ele tinha apenas 11 anos de idade. Sua primeira namorada o deixou naquele domingo de sol, justamente quando o sol estava se pondo. Ela deu um beijo no seu rosto, deu as costas e caminhou depressa, para desaparecer para sempre em meio à multidão. Hoje, às dezenove horas e cinquenta minutos do horário de verão, ele parou num semáforo, ficou observando os meninos pobres, fazendo seus malabares com bolinhas velhas de tênis. Antes que o sinal abrisse, um dos meninos veio recolher a gorjeta e ele respondeu com desinteresse que não. Que não tinha nenhuma moeda, embora seu bolso direito estivesse com uma meia dúzia delas. Antes de abrir o sinal, dois sujeitos de moto páram do seu lado, um deles aponta a arma pra sua cabeça e manda descer. Ele obedece. E começa a caminhar na mesma direção em que a terra gira, para que nunca mais encontre um entardecer.

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