Wednesday, November 24, 2004

DE VOLTA PRA CASA
Ela preferiu bater na porta a apertar o botão da campainha. Bateu com força, com os ossos dos próprios dedos na velha porta de madeira. Só podia ser ela para bater na porta desse jeito. Ninguém mais. Todas as outras pessoas que vêm aqui em casa apertam burocraticamente três vezes aquela campainha que soa um blin-blón de falso sino. Então eu nem precisei olhar pelo olho mágico pra saber quem era. Fui abrindo a porta direto e, assim como eu a abri automaticamente, ela abriu sua boca sem hesitar, jogando-se em direção à minha. Meus lábios, minha língua e minhas mãos sentiram o calor e a umidade do seu corpo trêmulo e, mais do que tudo, sentiram a sensação de estar voltando pra casa. E ela estava voltando. Mas dessa vez, para partir comigo. Ela me disse para eu fazer as malas depressa porque não podíamos adiar esse sonho mais uma vez. Com as duas mãos, empurrei-a para fora e bati a porta, deixando do lado de dentro da casa tudo o que era passado.

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