Wednesday, October 27, 2004

SOBRE TERREMOTOS
Depois da tragédia, depois que os tremores cessam de vez, é hora de voltar pra casa pra ver o que restou. A luminária, de tanto balançar como um pêndulo, bateu no teto e ficou só com as partes de metal penduradas no fio quase desencapado. Os quadros com as fotos das nossas férias caíram todos no chão e, coincidência ou não, milagre ou não, a imagem de Nossa Senhora continua fixa naquela ponta torta do prego fincado na parede.

Depois da tragédia, a gente começa a se precaver, a desenvolver técnicas para arrumar as coisas de tal forma que, no próximo abalo sísmico, a maior quantidade de coisas continue nos seus devidos lugares. É assim que o homem tem evoluído por através dos tempos, obtendo conhecimentos, todos baseados na observação. Junta-se as cadeiras tombadas, varre-se os cacos de vidro dos quadros e abajures. Fixa-se as coisas na parede com o dobro de pregos, com parafusos, até.

E assim a gente vai aprendendo. Em substituição às peças quebradas, compramos similares de acrílico e borracha. É menos bonito, porém inquebrável. Menos frágil. Mas nada disso parece adiantar. Porque a impressão que se tem é que o próximo terremoto vai ser ainda mais forte. E, por mais que eu aprenda, quando você aparece, eu me sinto o mais despreparado de todos.

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