Friday, October 08, 2004

DO DIA EM QUE CHOVEU À BEÇA
Era um dia em que chovia de cima pra baixo e de baixo pra cima. Porque a chuva era tão forte que os enormes pingos batiam contra o asfalto, multiplicando-se em gotas menores que respingavam para cima.
No meio da rua deserta, ele corria por entre os pingos que vinham de todos os lados.
Uma senhora que, mesmo com seu imenso guarda-chuvas, buscava abrigo sob uma marquise de um prédio de paredes rachadas, gritava para o jovem rapaz:
- sai da chuva, menino! vai te resfriar!

O vendedor de guarda-chuvas tentou abordá-lo, sem sucesso.
- a cinco reáu o guarda-chuva automático!

Vendedores de guarda-chuvas são como ratos que habitam o centro da cidade. Com a diferença de que os ratos, ao invés da chuva, aguardam o anoitecer para saírem de suas tocas imundas. É dar um relâmpago no horizonte que logo eles aparecem, munidos de todos os tipos e modelos de guarda-chuvas.

E ele continuava a correr com os braços abertos, as mãos, o rosto e o peito voltados para o céu. Mas ele não corria para fugir da chuva. Ele corria era para alcançar a chuva que estava por desabar sempre a alguns metros à sua frente.

1 comment:

emir said...

muito bom isso, por que não fazes um livro com esse blog?