Tuesday, August 03, 2004

É tudo culpa dos médicos. Não, ninguém morreu. Foram eles que começaram com essa bobagem de escolher a cor do uniforme. Acharam que, por trabalharem com saúde, deviam aparentar sempre impecáveis, com toda aquela brancura que só omo dá, da cabeça aos pés. E para terem exclusividade no uso da cor branca, levaram uma proposta ao congresso para que cada profissão tivesse sua respectiva cor.

Assim, ficaria fácil identificar quem fazia o quê, mesmo no meio da multidão. Proposta analisada e aprovada. Os deputados adoraram tanto a idéia que já se anteciparam, registrando às pressas a cor dos políticos: seria o dourado para cargos federais, prata para estaduais e bronze para municipais, como se a eleição representasse uma medalha olímpica.

Os advogados, que não gostam de perder tempo, registraram o ciano, o magenta, o amarelo e o preto, as quatro cores básicas no processo de impressão. Desta forma poderiam, mais tarde, alegar que qualquer cor escolhida por outra profissão teria sido composta pela mistura de suas cores básicas. E os processariam pelo uso indevido de cor alheia.
Mas o juiz interveio e acabou com a picaretagem. Não porque ele tivesse bom senso, mas somente pelo fato de que ele queria a cor preta para a classe dele. Juízes de direito e de futebol compartilhariam o uso do preto em seus uniformes.

E assim foi, dia após dia, os representantes de classe se apressavam para garantir uma cor que fosse do seu gosto ou, no mínimo, que não ficasse indadequada. Ou ridícula. No terceiro dia, o Ministério do Trabalho já havia cadastrado mais de trinta cores de profissões. Quase uma caixa inteira de um super conjunto de lápis de cor. Lá por sexta feira, restavam pouquíssimas opções. Até mesmo o rosa, o lilás, o azul calcinha e o ocre já haviam sido escolhidos. E ainda tinha muita profissão sem cor de uniforme escolhida.

Lá pelo décimo dia, aí é que ficou realmente difícil de encontrar uma cor que ainda não tivesse dono. Quando o azul piscina, o azul celeste, o azul cobalto, o verde água, verde esperança, verde bandeira e o verde musgo já tinham suas respectivas profissões, chegou um sujeito esquisito, montou uma banquinha de camelô na porta do Ministério e tirou um leque do bolso. Olha o pantone barato, barato o pantoneeeeee! Era um publicitário. Cor da profissão: Pantone 368 C.

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