Saturday, June 19, 2004

TOCA AMOR E ÓDIO!
Amor e ódio não era a música de trabalho e estava longe de se tornar um hit. A melodia não era a das melhores, a letra não tinha refrão, era longa, quase no limite de ser considerada chata, porém carregada de sentimento. Não tinha como ouví-la apenas uma vez e já sair cantarolando. Amor e ódio era difícil de decorar. Mas era a mais pedida pelos fãs. E todo final de música era a mesma coisa. Sempre tinha alguém que gritava lá do fundão "toca amor e ódio!".

Mas inexplicavelmente naquele dia, ela não se sentiu à vontade para atender aos pedidos. Porque, de repente, a música não fazia mais sentido para ela. Ela não conseguiria cantar com envolvimento, com amor, muito menos com ódio. Seria como cantar uma música em inglês sem saber o seu significado. Não faria a menor diferença se fosse ela cantando, o Cid Moreira cantando ou um cd da banda tocando no volume 2 do cd player de um fusca no meio de uma avenida barulhenta.

A música, composta há 2 ou 3 anos, na época, traduzia tudo o que ela tinha guardado no coração, querendo sair pelos dedos. É engraçado como a emoção se manifesta de várias formas. Sentimos dor no peito, vontade de chorar, de gritar e, muito estranho, uma sensação - que eu não sei descrever se é dor, coceira ou calor - na ponta dos dedos. Essa é a sensação que faz se concretizar tudo o que a gente está sentindo. Com os dedos a gente crava as unhas na testa, segura a mão de alguém, escreve uma declaração de amor num guardanapo e até reza, cruzando-os e unindo uma mão à outra.

Mas naquele dia, e em todos os outros que o sucederam, ela não se sentia fazendo parte da história, parte da letra de Amor e ódio. Foi quando ela inventou a resposta-padrão para quando pedissem para tocá-la. Ela dizia: Amor e ódio tem no nosso primeiro disco. E eu não vou conseguir chegar nem perto da vocalista que gravou aquela faixa. Fica pra próxima.

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