Thursday, June 24, 2004

E então ela me escolheu. Logo eu, que não tenho nada de especial, que sou uma pessoa tão feijão-com-arroz, quase que sem personalidade. E ela, justo ela, apontou o dedinho, uni-duni-tê, e me elegeu. Me avistou lá de cima, do centésimo nonagésimo sétimo andar. Respirou fundo, deu três passos à frente, pisou com os dois pés na ponta do trampolim, um pulinho pra frente para dar início à longa porém rápida viagem em direção ao solo. Ou, em minha direção. Eu não percebo nada, mas ela vem se aproximando, silenciosamente, em alta velocidade, sem breque, bochechas batendo ao vento, teleguiada para me alvejar. Sinto um pingo na testa. Vai chover.

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