Tuesday, May 25, 2004

E o menino resolveu guardar todo o dinheiro que ganhasse.
Todo e qualquer trocado que ele recebesse, a partir dali, seria depositado num cofrinho. Não comprava mais balas, nem figurinhas, muito menos ia jogar fla-flu. Refrigerante, nem pensar. Descobriu que água da torneira funcionava que era uma beleza para matar a sede.

Em 2 meses, já não cabia sequer mais uma moeda de um centavo no porquinho de pocelana cor-de-rosa. Pediu então ao seu avô que construísse, com um barril, um enorme cofre, capaz de armazenar muito, mas muito dinheiro mesmo. Um porco do tamanho de um barril, também pintado de rosa. No ritmo que estava, o menino fazia uma projeção de que demoraria pelo menos uns 5 anos para encher o novo cofre.

Mas ele não queria ficar milionário. Apenas queria guardar todo o dinheiro que passasse pelas suas mãos, para o resto da vida. Até que chegasse o dia em que não houvesse mais uma nota de um Dólar, um centavo de Pesos, uma única moeda furada de cinco Ienes circulando por aí.
E o que ele queria com isso? Que não restasse no mundo, ninguém que trabalhasse exclusivamente para ganhar dinheiro. Assim, as únicas profissões que sobreviveriam seriam as que fossem realmente nobres. Que tinham uma importante razão para existir, mesmo que não remuneradas.

E ele já tinha em mente quais seriam essas profissões. Dentre as poucas que restariam, estavam o jardineiro, que dedica sua vida para que os jardins mantenham-se sempre floridos e com cheiro de grama recém cortada. A professora do ensino fundamental que, como o nome já diz, ensina somente o que é fundamental para o desenvolvimento de uma criança: ler e escrever. O que vem depois é um monte de baboseiras. Professores de química seriam os primeiros a ficarem desempregados.

Também estavam na sua lista os médicos, os músicos e os palhaços. Ah, os profissionais de RH que fazem testes vocacionais também entrariam logo em extinção. Porque a lista de empregos possíveis seria bastante enxuta, o que facilitaria demais na hora da escolha: jardineiro, médico, professor, músico, ou palhaço. Num mundo sem dinheiro, eu seria palhaço.

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