Sunday, April 04, 2004

KM 229
Vacas de beira de estrada são as únicas que jamais crescem. Já nascem daquele tamanho e ficam lá, pequeninas e imóveis como se fossem bonequinhos de ferro sobre um tabuleiro verde. Vacas não brincam. Nem mesmo quando crianças. Não correm para se divertir. Só correm quando algum caminhoneiro as sacaneia com aquela buzina de ar, que se aciona puxando uma corrente.
O olhar das vacas reflete a vida triste e tediosa que levam. Sequer abanam o rabo para demonstrar alegria, como fazem os cães. Vez que outra, movimentam o rabo para espantar uma mosca que incomoda o seu interminável descanso, tal qual um bêbado que dorme na sarjeta ao sol do meio-dia.
Assim é a vida das vacas. Sem expectativas. Não esperam ter família, casa própria ou trabalho. Muito menos encontrar um grande amor. Uma vida toda à espera da morte.

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