Friday, March 26, 2004

DÁ UM REÁU AÍ
Osvaldo Aranha, meio-dia e cinco. Vou pegar um T-7 pra ir pro Iguatemi. Mas um cego me pede pra avisá-lo quando passar o Rio Branco-Anita. Segundo ele, o Rio Branco passaria por volta de meio-dia e dez (ele me chamava de magrão). Me deu um papelzinho dizendo que era cego e que necessitava de uma ajuda, pois não tinha trabalho. Eu realmente estava num dia bom e dei um real a ele.

Uns 2 ou 3 minutos depois veio o T-7. Azar, vou ficar aqui com o cego. Ele é quem não pode perder o ônibus. Já viu que merda o cego perder um ônibus? ele não. Mas então, ao meio-dia e dez cravados, surge o Rio Branco. Eu o conduzo até a porta da frente, pois é na frente que sentam os idosos, gestantes, deficientes e gordos. Me despeço, ele agradece, aquele papinho de "a gente se vê", coisa e tal.

Quando vejo, o cego desce do bumba e vai correndo até a porta de trás. Claro, na parte que fica atrás da roleta o quorum é bem maior pra ele faturar uns trocados com outros trouxas de coração mole que nem eu. Ele deve pensar: nóis não enxerga mas nóis não é bobo, mano. E se fue.

Deu mais uns 5 minutos e veio outro T-7. Entrei, dei um VT, passei a roleta e sentei ao lado de uma moça (bem apessoada, por sinal). Mas a história que eu vou contar não envolve a minha vizinha de assento. Infelizmente. Chegamos na próxima parada, na do Clínicas. Quando eu vejo, também pela porta de trás, entram 4 peruanos (ou seriam bolivianos? paraguaios? equatorianos?) enfim, eram tipo eu se deixasse o cabelo crescer.

Os caras começaram a tocar músicas andinas, com aquelas flautas de bambu, ocarina e viola. Tocaram El Condor Pasa. Aplausos. Muitos aplausos. Acho que tinha umas tias que se emocionaram muito com o show. Próxima do setlist: Guantanamera. Depois, uma do Simon & Garfunkel e mais outra que eu não me lembro. Uma mistura de pocket show com flash-mob, performance e invasão (sim, eles deram portão).

Embora a apresentação tenha me agradado pelo fato de me fazer lembrar da viagem ao Peru, dessa vez eu não dei sequer uma moeda. Porque o T-7 tava tão lotado que o carinha que passava o chapéu mal conseguia se locomover. Se tivesse chegado até mim, eu certamente teria contribuído com algum din-din. Se deu mal o peruano.

Mas depois fiquei pensando. Vai que isso pega? Dormir em ônibus nunca mais. E se isso fosse no Peru, com show relâmpago de brasileiros nos ônibus de lá? Como seria? Com certeza seria beeem mais divertido, um show de axé com umas dançarinas com a tanga atolada no rêgo. Será que alguém já teve essa idéia? As oportunidades estão aí. Só não vê quem não quer. Ou é cego.

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